Thursday, February 19, 2009

O utilitarismo e a pegação


Na ética utilitarista, o que é “bom” equivale ao que a maioria entende como “bom”. As ações são justificáveis sempre que tenham por finalidade o bem da maioria, o que é útil para a maioria, sem maiores preocupações com suas implicações sobre as minorias. A valoração dos desejos, por outra parte, segue a mesma linha: algo é tanto mais dotado de valor quanto mais a maioria lhe atribua valor. Assim, se a maioria vê a satisfação do desejo X como algo valoroso, não importa, no plano concreto, o quanto de felicidade (ou de utilidade) a satisfação do desejo X pode proporcionar a um sujeito determinado: X, sendo desejado pela maioria, será sempre bom. Descabe, nesse raciocínio, tomar em consideração o desejo X de per se, já que o que vale mesmo é a importância que maioria dá a X.

A “pegação” com isso? Ah, com isso, tudo. Existe um sem-número de conexões entre a ética utilitarista e a maneira pela qual nos relacionamos afetivamente hoje em dia. Ou não é fácil ouvir por aí que “homem/mulher gosta de quem não presta”? “Quem não presta”, pelo que me parece, no contexto do jargão, é quem se dá a mentiras, a traições. O/a traidor(a), se assim é, foi, em algum momento, desejado por outra pessoa, por várias pessoas, pela maioria. Quanto mais desejado(a), no utilitarismo, mais valor tem…

E assim o capitalismo e o seu substrato teórico vão-se impregnando em nossas vidas de uma forma tão sutil que até parecem inerentes à natureza das coisas…

Posted by Diana at 18:15:29 | Permalink | No Comments »