Possas crer, Spinoza
“A decisão é um problema a ser meditado sempre, e especialmente nos casos difíceis, sem cessão às facilidades. Decidir pelo mais fácil como os homens do apêndice é, perante o ter de fazer algo, decidir não fazer nada senão dar livre curso às coisas, no caso os preconceitos; é meramente deixar-se levar e seguir o curso da ignorância e servidão nativas. Por outro lado, decidir pelo mais difícil, transformar a si e à vida, é uma fonte de agruras, é um passo inclusive violento: violência contra a vida comum que levamos e pela qual somos levados, violência de algo que vem de fora e que nos obriga a pensar, refletir, meditar, deliberar; em certo sentido, a violência de ir contra a nossa situação natural, já que “por natureza” somos propensos a restar abraçados ao preconceito. Os termos de Espinosa no Tratado da emenda são fortes ao descrever a situação daquele que, decepcionado com os bens comuns, procura um outro; eles não nos permitem fazer pouco caso da dor acarretada pelo pensar no mais difícil:
Via-me, assim, rodear em extremo perigo e constrangido a procurar, com todas as minhas forças, um remédio, ainda que incerto; como um doente, atacado de fatal enfermidade, que antevê morte certa se não encontra um remédio, é constrangido a procurá-lo com todas as suas forças, mesmo que ele seja incerto, pois que nele está sua única esperança. (§7)
Todo o ser do indivíduo, todas as suas forças mobilizam-se nessa esperança. Esperança de alcançar algo banal, muito simples, mas cuja busca revela toda a vitalidade da narrativa. Não esperança de uma ciência segura, não de uma revolução filosófica, mas de “conservar o nosso ser” (§7), na metáfora médica, ou, no registro que nos é dado pela abertura do texto, esperança de chegar a gozar uma “suma alegria”, esperança de ser feliz, em resumo.A decisão pela alegria e pela busca da felicidade é a mais difícil das decisões.
[...]
Por que não propor uma nova organização? … por que não propor uma reorganização das coisas e da vida que favoreça ao máximo nosso caminho para a felicidade? Uma reorganização dos valores que favoreça os encontros alegres e o afastamento das tristezas?
É bem disso que se trata: pôr ordem nos afetos. É o que executam o modelo de natureza humana “mais firme” e o “bem verdadeiro” dele decorrente assim que surgem na narrativa do Tratado da emenda: tolhem as dúvidas, dão um novo conteúdo aos valores, revaloram as coisas, estabelecem meios e fins; numa palavra: ordenam. E por isso mesmo falamos de um verdadeiro bem. A verdade do verdadeiro bem não está em corresponder a nada no real, mas em seu poder ordenador e no fato de não ser decepcionante; é a verdade de uma eficácia no alegrar, e efetivamente o Espinosa que inicia na filosofia alegra-se com a passagem de uma vida comum em que predominam as tristezas a uma nova vida em que podem predominar as alegrias. O bem verdadeiro é um metro que deriva de um fim, um modelo de natureza humana que nos impomos.”
ave maria
tu foi no feijão?
aaaaaaah, po, mas tb dava direito à camiseta!
amarrada!
eu tb nao fui, primeiro pq tinha compromissos e segundo pq jacaré é longe pra caralho.
soube q deu gente q soh. hj tomei uma com 2 vascainos q nao sabiam q mauro galvao esteve na parada e se lamentaram por nao terem ido abraçar o cara. hehe alias, soube q tinha varios nao-botafoguenses lá.
Com uma letra miúda dessa e em itálico fica difícil, heim?!