Lunes, 26 26e Febrero 26e 2007 AD

Partir

Partir. Separar. Aquém-mar ficou eu. Quedamos afastados; arraigo, formas acabadas e quaisquer referëncias a esses presunçosos 'meu' e 'minha'.

Partir. Dividir. Além-mar ficou eu. Bocado de pedaços [trozos] em ruas e esperas, olhos e sotaques, surpresas e decepçoes, monumentos e angústias.

Partindo do ängulo do distante, parti-me. Mas, cá pra nós, lá pra vós.

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O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

 Fernando Pessoa

Posted by Diana at 04:18:05 | Permanent Link | Comments (2) |