Grande Pequena Jerusalém

Em meio à periferia parisiense do século XXI, uma judia é tomada de assalto pelas célebres luzes que pairaram sobre a França revolucionária. Já não se trata de insurreição burguesa contra abusos de clérigos e nobres, mas tão-só do questionamento de dogmas, rituais e comportamentos de sua família messiânica.
O filme conta o interessante processo de amadurecimento reflexivo de Laura, jovem que ’se atreveu a usar da própria razão’ e a estudar filosofia – às escondidas - na Universidade de Paris. Pouco a pouco, seus estudos lhe convencem das revelações fluidas sobre que se alicerçam as crenças religiosas, passando assim a tomar a filosofia como único procedimento de reflexão válido na busca da verdade. Além do mais, dá para se deliciar um bocadinho com breves alusões a Kant e a Rousseau, ao ímpeto desbravador do racionalismo tal qual em sua origem, à relutância da personagem a desfrutar desse tal de querer sensível.
No mais, em segundo plano, o roteiro se deslinda pela realidade suburbana européia, pulverizando breves olhares pelos terrenos da imigração ilegal, da densidade e diversidade cultural dos grandes centros alvo da imigração (não tem Lei do Véu que resista a tanto dinamismo sendo jogado p’ra baixo do pano).
Tudo isso alivanhado à doce expressão de Laura e de sua irmã Mathilde, ainda que baixo a tensão de um dia-a-dia que insiste nos conflitos que, cada vez mais, surgem, circundam e se ismicuem na vida de ambas.
Em suma, ‘Petit Jerusalem’ é daquelas películas que nos entristecem quando acabam, que nos impõem uma busca por mais obras daquele(a) diretor(a), que sugerem releituras, que prontamente incitam um debate pós-filme – ou apenas um post num blog legado às virtuais traças do esquecimento.
esse tu pegou na chaplin tb? quem sabe um dia eu não me ismicuo pra assistir.
Belo filme. Singelo e marcante. Um grande despontar para a filosofia, para a religião e um olhar para a intolerância, baseado em uma série de fatos que não podem ser vistos separadamente. De um lado, a impossibilidade da filosofia atrelar-se em conceitos que excluam o amor, que desafiou com talento as regras racionalizadas por Laura. De outro, o poder de uma crença que traz solidão. Some-se isso à realidade política regional que difere drasticamente da Torre Eiffel.
Optem pelas suas prioridades - de qualquer maneira será novo e alentador!- mas não esqueçam de se perguntar onde cada um foi procurar sua própria calma.