Thursday, July 26, 2007

Big Brother, Orkut, Fotolog, Leão Lobo, Caras e toda a futilidade ordinária

    “Hoje, os problemas e as questões individuais são postas de maneira não aditivas, dificultando o “cerrar fileiras” em torno de grandes questões comuns. A única vantagem na presença de outros residiria na percepção de que eles também têm de enfrentar seus próprios problemas, o que reforçaria uma atitude responsável e individualizada. O que se pode aprender com os outros é talvez como sobreviver solitariamente e como encarar os contínuos riscos (daí o crescimento do mercado de auto-ajuda). O indivíduo livre, ao contrário do cidadão, tende a ser indiferente diante da busca do bem-comum. O único sentido pertinente do bem-comum é permitir que cada indivíduo possa cuidar de seus próprios interesses.

    O outro lado da individualização, segundo Bauman, é a lenta e progressiva corrosão da cidadania. O público é colonizado pelo privado. O interesse público passa a ser a curiosidade sobre as vidas privadas das pessoas públicas e a exposição pública das questões privadas. O método que restou de construção da comunidade foi compartilhar de experiências íntimas. Tal processo leva à formação de comunidades frágeis e fugidias. Há um isolamento e confinação do ego.”

José Carlos Moreira Silva Filho, em “Multiculturalismo e movimentos sociais: o privado preocupado com o público”.

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Tuesday, July 17, 2007

Grande Pequena Jerusalém

 

Em meio à periferia parisiense do século XXI, uma  judia é tomada de assalto pelas célebres luzes que pairaram sobre a França revolucionária. Já não se trata de insurreição burguesa contra abusos de clérigos e nobres, mas tão-só do questionamento de dogmas, rituais e comportamentos de sua família messiânica.


O filme conta o interessante processo de amadurecimento reflexivo de Laura, jovem que ’se atreveu a usar da própria razão’ e a estudar filosofia – às escondidas - na Universidade de Paris. Pouco a pouco, seus estudos lhe convencem das revelações fluidas sobre que se alicerçam as crenças religiosas, passando assim a tomar a filosofia como único procedimento de reflexão válido na busca da verdade. Além do mais, dá para se deliciar um bocadinho com breves alusões a Kant e a Rousseau, ao ímpeto desbravador do racionalismo tal qual em sua origem, à relutância da personagem a desfrutar desse tal de querer sensível.


No mais, em segundo plano, o roteiro se deslinda pela realidade suburbana européia, pulverizando breves olhares pelos terrenos da imigração ilegal, da densidade e diversidade cultural dos grandes centros alvo da imigração (não tem Lei do Véu que resista a tanto dinamismo sendo jogado p’ra baixo do pano).


Tudo isso alivanhado à doce expressão de Laura e de sua irmã Mathilde, ainda que baixo a tensão de um dia-a-dia que insiste nos conflitos que, cada vez mais, surgem, circundam e se ismicuem na vida de ambas.


Em suma, ‘Petit Jerusalem’ é daquelas películas que nos entristecem quando acabam, que nos impõem uma busca por mais obras daquele(a) diretor(a), que sugerem releituras, que prontamente incitam um debate pós-filme – ou apenas um post num blog legado às virtuais traças do esquecimento.



 

Posted by Diana at 20:13:05 | Permalink | Comments (2)