Monday, May 28, 2007

Poema em linha reta

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”

 Álvaro de Campos

Posted by Diana at 14:31:45 | Permalink | Comments (3)

Tuesday, May 8, 2007

Short drinks difíceis de tragar

1 – Então atuação política se faz com ovos e tomates, MTV? Cada vez mais desprezível os ‘pitacos’ entusiastas da alienação e indiferença política, do discurso vazio e cheio de lugares-comuns, da falta de problematização e do consenso cego. A audiência da televisão que veicula programas como o bizarro “Por que eu não posso ser você?” é formada majoritariamente por jovens ricos (classes A e B) entre 15 e 25 anos, grupo privilegiado que, coincidentemente, acede às universidades brasileiras… OK, você venceu, universitários idiotizados.

 

2 – Fica, Robinho? Fica, Zé Roberto? Fica aqui em terra brasilis se submetendo a essa arbitragem descaradamente corrupta que põe abaixo o trabalho sério de quem tem o esporte como profissão.

 

3 – Já ouviu falar em Prometeu, Djalma José Beltrami Teixeira? Por ‘roubo’, ele foi condenado a ter seu fígado comido, paulatinamente, por um urubu. Não necessariamente nessa ordem, mas relativamente a roubo e a urubu, EU TE MATO, MISERÁVEL!

 

4 – Ainda que não por razões de ordem prática ou lógica ordinária, os burocratas deveriam ater-se à questão cool do desmatamento desenfreado. Fica esse apelo residual, já que bom-senso é pedir demais. Quer exigir xerox da certidão de casamento dos meus pais e cópia do meu diploma de formatura do ABC para que eu possa comprar passe estudantil? Tudo bem, mas pense na quantidade de papel fabricado, nas árvores, no desmatamento, na Amazônia, nos gases emitidos pelas vacas ou no raio que o parta. 

 

5 – Exibição do filme e, depois, breves comentários do diretor e debate. Dito em português, é difícil compreender? Provavelmente. Gente mal-educada, surda e imbecil (quesitos cumulativos) deve ser alijada dos espaços de civilização, pelo bem da sessão.

 

6 – Jogos Universitários Paraibanos – Final do voleibol feminino - UFPB 3 x 0 UNIPÊ. Blumenau, hotéis 5 estrelas, restaurantes caros, museu da cerveja,  3.000 atletas… Nem tudo são espinhos.

Posted by Diana at 17:45:53 | Permalink | Comments (6)